e o que ficou por dizer ao Cavaco...
Raim on Facebook
Maio 20, 2013
A posta que pró ano é que é
Ser adepto deste ou daquele clube é resultado de tantos factores aleatórios e acontece em tão tenra idade que raramente nos lembramos do momento, do tempo e das circunstâncias, em que decidimos abraçar para a vida um emblema e uma cor.
Não nascemos adeptos, mesmo quando nos inscrevem como sócios ainda antes de nos imporem outra canga que é a do baptismo. Fazem-nos adeptos ou apenas embicamos para este ou aquele amor à camisolaporque sim.
Podemos questionar ou mesmo alterar a nossa opção partidária, a nossa relação amorosa e repensar inúmeras escolhas de caminhos ao longo da vida. Porém, o clube que é o nosso agarra-se à pessoa como uma cor de olhos ou um sinal de nascença.
Perca ou ganhe, é o nosso clube. Por ele gritamos, por ele choramos, por ele torcemos uma vida inteira. E a cada novo jogo, a cada nova época, a cada nova etapa, a esperança de vencer é renovada e não existe martírio suficiente para nos vergar nessa paixão.
É impossível de explicar este apego a uma colectividade de forma racional. É mesmo de um amor que se trata, braço dado com uma fé tão inquebrantável que mais facilmente a pessoa deixa de acreditar em Deus. Sobretudo quando este último nos prega partidas tão dolorosas como as duas seguidas que o meu Benfica sofreu.
Tivemos dois pássaros na mão e ambos os casos a ave, mesmo à beira de uma daqueles voos dignos de uma águia, morreu.
Dói imenso, por quão ridículo possa soar a quem passe ao lado destes fenómenos tão estranhos como a loucura da paixão por um clube e acima de tudo, numa hierarquia inquestionável, pela sua equipa de futebol. É coisa para fazer um homem chorar, de alegria como de tristeza, sem que alguém ouse questionar por isso a sua dureza e masculinidade como ainda acontece e muito quando essa manifestação surge associada a outro tipo de emoções.
Ser benfiquista, o meu drama pessoal, é coisa de uma intensidade quase insuportável de tão perturbadora do estado normal de consciência de uma pessoa. É toda uma montanha russa de emoções arrebatadoras, jornada após jornada, taça após taça, títulos conquistados e outros, sempre demasiados, a escaparem para um qualquer dos rivais do costume.
Ser benfiquista é uma pessoa deitar as mãos à cabeça mergulhada num desalento esmagador quando se enfrenta uma derrota.
Mas também é uma constante renovação desse amor que tanto nos trai, é um renascer das cinzas, permanente, depois de perdoados todos os desgostos, de ultrapassadas todas as arrelias. Cerramos os punhos numa gana danada de pró ano é que é e defendemos a nossa dama contra tudo e contra todos, sem ponderar sequer a hipótese de uma desistência por muitas que sejam as ocasiões em que saímos a perder.
Há casamentos que resistem com muito menos do que isto para dizer.
Maio 19, 2013
Até quando vamos continuar comemorando?
Co'memorando da troika, quero eu dizer...
«A grande curva de Gauss» - João
"Esqueça o Euromilhões, porque é muito provável que não lhe tenha saído, e leia isto com os pés bem assentes na terra. Lembrar-se-á, certamente, de como em criança muita coisa lhe era permitida. Com umas educações mais permissivas que outras, é certo, os primeiros anos de vida são marcados por alguma liberdade. Não deixa de ser, à sua maneira, um paradoxo: dependemos dos pais, não podemos ir sozinhos para muito longe, não garantimos por nós mesmos os essenciais da vida, e nem sequer temos uma consciência plena de tudo quanto nos rodeia – das coisas visíveis e das dissimuladas -, e no entanto somos, provavelmente, o mais livres que alguma vez seremos. Na máxima extensão da nossa ignorância, o que nos pode fazer terrivelmente felizes, não nos afectamos pelo que não sabemos, e, mais ainda, se o dom da fala já nos assiste, podemos dizer praticamente tudo quanto quisermos porque não nos levam a sério e até acham graça ao petiz. Apenas não convém relatar tudo o que se vê em casa, os pais não gostam.
Essa liberdade vai diminuindo com o tempo, mas em adolescente ainda é possível dizer tudo quanto se quer. Ser-se-á interpretado como um rebelde, como apenas mais um na grande curva de Gauss, um tipo normal, portanto. Convenhamos: os adolescentes não se levam muito a sério, pois não? Olhamos para eles – qualquer que seja a distância que nos separa dessa fase – como uns palermas que ainda não sabem muito bem o que dizem e o que querem. Esse atestado automático de idiotice é precisamente aquilo que lhes permite dizer qualquer coisa sem especial prejuízo para as suas carreiras. As que eles ainda não têm.
No momento em que se avança para o final dos vintes e se navega bem dentro dos trintas (e isto durará por boa parte dos “entas”), com as tentativas de construção de carreira e solidez do Nome, a liberdade cai a pique. Possivelmente – assim se espera – estaremos já em condições de garantir alguma subsistência. Já não dependeremos dos pais como outrora, podemos ir para longe sozinhos e chegar a casa tarde ou quando calhar, mas a nossa liberdade estará no seu mais baixo nível. Por uma razão muito simples: as pessoas não gostam de gente sincera, directa, frontal. Se dizes o que pensas, lixas-te. Já não tens a tolerância da adolescência nem a condescendência que virá com a senilidade. Já não pensam que és um palerma de ideias vagas. Passaste a ser um concorrente, e a Terra é finita, e portanto há um conjunto também finito de oportunidades interessantes. As pessoas tornaram-se dissimuladas, deram o salto de adolescentes desbocados para adultos de sorriso made in china, e preferem que lhes mintam. Mentir garante sobrevivência. Ser frontal garante dificuldades. É isso – se nada mais houver – que determina a diminuição abrupta da tua liberdade, seres avaliado pela tua conveniência e sentido de oportunidade mais do que por aquilo que sentes e sabes fazer.
Só recuperarás a tua liberdade quando estiveres perto do fim da tua vida. Nessa altura, se os sapos não te tiverem morto ainda, concluirás que já não te podem afectar grandemente. Que o que tinhas a fazer, está feito. É então que te desbocas e tornas livre de novo. E podes dizer tudo o que quiseres, podes ser frontal e directo, sem medos, sem o sentido da conveniência ou da oportunidade. Acusar-te-ão de senilidade. Mas é muito provável que essas acusações venham dessa gente que não gosta daquilo que dizes e que tem medo da nudez da verdade. As coisas que se dizem entre o fim da adolescência e o princípio da putativa senilidade, são exercícios de risco calculado, e não deixa de ser bastante aborrecido pensar-se que pouco depois da reconquista da liberdade, venha a tumba."
João
Geografia das Curvas
Essa liberdade vai diminuindo com o tempo, mas em adolescente ainda é possível dizer tudo quanto se quer. Ser-se-á interpretado como um rebelde, como apenas mais um na grande curva de Gauss, um tipo normal, portanto. Convenhamos: os adolescentes não se levam muito a sério, pois não? Olhamos para eles – qualquer que seja a distância que nos separa dessa fase – como uns palermas que ainda não sabem muito bem o que dizem e o que querem. Esse atestado automático de idiotice é precisamente aquilo que lhes permite dizer qualquer coisa sem especial prejuízo para as suas carreiras. As que eles ainda não têm.
No momento em que se avança para o final dos vintes e se navega bem dentro dos trintas (e isto durará por boa parte dos “entas”), com as tentativas de construção de carreira e solidez do Nome, a liberdade cai a pique. Possivelmente – assim se espera – estaremos já em condições de garantir alguma subsistência. Já não dependeremos dos pais como outrora, podemos ir para longe sozinhos e chegar a casa tarde ou quando calhar, mas a nossa liberdade estará no seu mais baixo nível. Por uma razão muito simples: as pessoas não gostam de gente sincera, directa, frontal. Se dizes o que pensas, lixas-te. Já não tens a tolerância da adolescência nem a condescendência que virá com a senilidade. Já não pensam que és um palerma de ideias vagas. Passaste a ser um concorrente, e a Terra é finita, e portanto há um conjunto também finito de oportunidades interessantes. As pessoas tornaram-se dissimuladas, deram o salto de adolescentes desbocados para adultos de sorriso made in china, e preferem que lhes mintam. Mentir garante sobrevivência. Ser frontal garante dificuldades. É isso – se nada mais houver – que determina a diminuição abrupta da tua liberdade, seres avaliado pela tua conveniência e sentido de oportunidade mais do que por aquilo que sentes e sabes fazer.
Só recuperarás a tua liberdade quando estiveres perto do fim da tua vida. Nessa altura, se os sapos não te tiverem morto ainda, concluirás que já não te podem afectar grandemente. Que o que tinhas a fazer, está feito. É então que te desbocas e tornas livre de novo. E podes dizer tudo o que quiseres, podes ser frontal e directo, sem medos, sem o sentido da conveniência ou da oportunidade. Acusar-te-ão de senilidade. Mas é muito provável que essas acusações venham dessa gente que não gosta daquilo que dizes e que tem medo da nudez da verdade. As coisas que se dizem entre o fim da adolescência e o princípio da putativa senilidade, são exercícios de risco calculado, e não deixa de ser bastante aborrecido pensar-se que pouco depois da reconquista da liberdade, venha a tumba."
João
Geografia das Curvas
Maio 17, 2013
«Faz tempo que...» - por Fátima Marques
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| A Fátima e "o mê Zé Tó" |
Há muito que me afastei de tudo o que gostava de fazer, há muito que abandonei o perseguir de alguns sonhos e me rendi à condição de formiga de um formigueiro estranho onde nem sempre a organização me enquadra e agrada mas é aquela onde vivo e para a qual trabalho.
Carrego o peso dos que se levantam e deitam com a angústia da lágrima contida. A lágrima de uma dor de submissão imposta por razões de responsabilidade social mas principalmente por razões de responsabilidade familiar. Escolheram ser trabalhadores porque a única opção era ser trabalhadores mas à época havia a dignidade de uma profissão. Hoje existe a indignidade da escravidão!
Levanto-me e deito-me, todos os dias, com o mesmo cansaço do dia anterior e neste acumular de cansaços vou olhando na busca de pontos de esperança, como que buscando vitaminas que me dêem a coragem de avançar mais um dia. Busco-as na família, principalmente!
Mas as famílias estão cheias de gente como eu! Estão cheias de gente que se levanta e deita com o cansaço do dia anterior!
Nesta imensidão de cansaços vamos lutando dia-a-dia tentando ganhar forças para avançar.
Eu vou guardando cada carinho, cada abraço, no alforge da vida e cá vou, pronta para mais um dia, apagando as lágrimas com sorrisos de engano até ao dia em que consiga dar um grito de libertação!"
Fátima Marques
__________________________________
A Fátima é professora do ensino secundário e colega da minha Luísa, que também se levanta e deita com o cansaço do dia anterior. E, como sempre, revolta-me ver que os professores não podem ter vida para além do trabalho. O grito de libertação deveria ser de todos os professores. Mas estão a deixar-se cozinhar pelo desGoverno da «««Educação»»», como o sapo que começou deliciado a nadar num tacho de água que foi ficando morninha e a temperatura foi subindo, subindo...
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Maio 16, 2013
Rosário Breve n.º 309 - in O RIBATEJO de 16 de Maio de 2013 - www.oribatejo.pt
Bom dia, amigos. É quinta-feira. Portanto.
Felicidade é mais depressa açúcar dos caramelos que azeite dos iluminados
Agora já não, que o tomou já a calvície sem retorno, mas ele era naquele tempo de uma cabeleira lustral qual tocha de gel. O mesmo espaço esférico-cabeçal funcionava au ralenti de uma acefalia atinente ao seu linguajar pulha e à sua estroinice miseranda. Mas ela era dele assim mesmo que gostava. Isto do amor pode ter muito que se lhe repita, mas, no fundo, nada tem que se lhe inove.
Nunca lhe conhecemos o piripíri de uma ideia, o mentol de uma graça, a pimenta de uma hipótese, o coentro de uma opinião perfumada de fundamento. Invariável, inevitavelmente, o seu raciocínio íngreme estatelava-o, nunca sem estrépito e jamais sem edemas, na cloaca petrificada do guano mais endurecido. Mas que tal lho dissessem a ela mil vezes, que mil e uma e mais cem ela o queria e curava e amava e babujava.
Dele, lesmice e mesmice eram uma só e mesma coisice. Se lhe causticavam uma toleima, cacarejava todo espalha-penas com aquela estupidez indignada das galinhas-carecas quando um cachorro pueril quer brincar às cadelas com elas. Só podia, por tudo isto, ser carimbado daquele terrível apodo que é a derradeira coisa que se pode chamar a um zé-ninguém: era bom-rapaz. Não fazia mal e nunca mal fez, para ela: porque ela hipostasiava nele a essência mesma do santo, cuidada e tomada a vulgaridade piolhosa por insígnia a mais virtuosa.
A ignorância envelheceu-o em novo, como é quilate pindérico da beterraba que se julga ananás. Rangia de incompreensão à face de paráfrases simples como “Quando mais o euromerkel sobe, mais o Alcabideche”. Rábulas e fábulas de figurado sentido moral não puderam nunca adentrar-lhe o maciço granítico sobre que os antigos usavam chapéu e em cujo cocuruto os rastas de jamaicana import-imitação espessam o esterco da grenha. Mas ela? Oh se ela alguma vez outro peso de alimária quisera que lhe amulatasse a alvura!
Ele tinha dinheiro. Deixara-lho uma avó, figurinha de cera que conseguiu, chegando embora aos 94 anos, não estourar tudo em padres. Nisso, vá lá e venha cá, não foi ele burro: vivia, sem abrir sequer uma mola da roupa, dos juros dessa maquia que nunca viu sol. Disso – e das rendas de dois prédios (um com farmácia e tudo no piso térreo) sitos no miolo comercial mais nobre da Vila. Naturalmente, ela também disso gostava muito nele, dele emprenhando a tempo de salvaguardar para si o caldo e o cabeleireiro da velhice amailo um fiat-uno para cada um dos quatro moços que pariu sem dor na glória das estruturas de hélice do ADN auto-replicativo.
Foram, é claro, muitas vezes a Fátima, mas sempre pela Marateca, à guisa de quem ruma ao Algarve da fé. Uma vez até se deram à extravagância de ir ao Complexo do Bonito, no Entroncamento, onde gozaram a boa sorte de assistir àquela memorável e dramática conquista da Taça do Ribatejo pelos rapazes juniores do União de Tomar frente aos seus não menos bravos homólogos do Alcanenense. No fim do prélio, foram os dois com sua/deles quaternária prole fedelha alambazar-se de enguias a Escaroupim, jóia de terra-água-ar de Salvaterra de Magos, por acaso até no mesmo dia em que os fotógrafos Zé Freitas e Tó Vieira por lá andavam também, aquele como de costume a fotografar passarocos e este sem fotografar fosse o que fosse por, como de costume, andar de óptica toda obturada nas gajas.
O tempo entretanto passou (que é aliás o que ele mais faz nos entretantos) e tornou-se hoje.
Ora, acontece que hoje é precisamente o dia em que mais nada tenho a dizer, portanto não digo.
Maio 15, 2013
«respostas a perguntas inexistentes (252)» - bagaço amarelo

Existe por aí uma mania qualquer de considerar que o pragmatismo é a melhor coisa do mundo. Ser pragmático é optar pela eficiência em detrimento da emoção e do intelectual. Enfim, abdicar de tudo para ser eficiente. Ainda hoje, em conversa com uma amiga que se orgulha de ser pragmática, percebi que ela abdica de grande parte do tempo que tem para estar com quem Ama, em nome das horas extras no emprego.
Trabalha mais, vive menos. Tem orgulho nisso.
O problema das pessoas pragmáticas costuma ser a morte. Não há nada mais pragmático do que a morte, já que no fim morremos todos. Quem abdica de alguma da sua vida antes da morte está a morrer antes do tempo. É isso que é ser pragmático e é isso que o mundo nos diz para sermos hoje em dia.
Eu orgulho-me de não ser pragmático. Costumo pôr a minha vida antes de qualquer outra coisa. Desculpem qualquer coisinha, mas nem a merda do produto interno bruto, nem a dívida externa portuguesa, nem as imposições da Troika me convencem a abdicar de mim mesmo. Opto pela vida. Quando me deixam, claro.
Sou pragmático o suficiente para perceber que o pragmatismo é uma merda. É a força de quem ainda não percebeu a lógica da existência, ou seja, do Amor.
Devia ser proibido ser pragmático. Por mim, a lei devia obrigar-nos a ser líricos, inúteis e crianças de vez em quando. Não é por nada de especial. Só para sermos felizes. Só para que a vida não passe por nós sem que passemos por ela.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Maio 14, 2013
O verdadeiro 3º Segredo - com o Bónus Track - A Maya ainda adivinha que a Irmã Lúcia já morreu.
“Penso que foi uma inspiração da nossa Senhora de Fátima”. Cavaco Silva sobre o fecho da 7ª Avaliação da Troika.
"É o que a minha mulher diz”. - acrescenta. Atenção que isto vem no Jornal de Negócios, não no Inimigo Público. Vale o mesmo, eu sei. Mas.
___________________________
Aqui, a notícia
Aqui, o video das declarações deste nosso Santo Presidente
"É o que a minha mulher diz”. - acrescenta. Atenção que isto vem no Jornal de Negócios, não no Inimigo Público. Vale o mesmo, eu sei. Mas.
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Aqui, a notícia
Aqui, o video das declarações deste nosso Santo Presidente
Maio 13, 2013
A posta que isto já lá não vai com falinhas mansas
No visível desespero dos próprios apoiantes dos partidos da coligação que nos governa, cada vez mais desarmados para acudirem em seu auxílio e com a perda de audiências da presença televisiva de Sócrates a privá-los do renascer das cinzas de um culpado mesmo a jeito para a argumentação fácil, percebe-se o quanto as sondagens até acabam por não reflectir na sua verdadeira dimensão o esboroar absoluto da base de legitimação do actual Executivo.
Sejamos claros: já nem a malta de Direita acredita nas hipóteses de sucesso deste grupo heterogéneo de pessoas a quem o poder foi confiado nas circunstâncias que se sabe e de entre a mesma falta de alternativas que nos aguarda em futuros plebiscitos.
Falha-lhes o talento para o jogo político, a credibilidade para a mobilização popular em torno das suas medidas bizarras e, em muitos casos, simplesmente cruéis, a consistência para consolidar uma imagem de força que colmate as várias debilidades da sua forma de controlar o poder e, acima de tudo (e nem quatro Poiares bem maduros conseguem apagar o rasto de imbecilidade deixado pelo inenarrável Relvas), falta-lhes a inteligência que nos poderia valer.
Depois de assente o pó da desilusão inicial, os portugueses agitaram-se e quase roçaram a revolta chegando a haver quem temesse uma nova Grécia nas nossas ruas. Claro que foi sol de pouca dura e depressa a população acabou enfraquecida pelo próprio efeito de uma governação desastrada e desastrosa que nos obriga a centrar atenções nas questões mais elementares da sobrevivência. Quase um milhão de desempregados mais outro milhão de reformados (com pensões sistematicamente alvejadas pelos snipers da rapina estatal) a sustentarem famílias inteiras deixam pouca margem de manobra para a contestação.
Agora, encravados entre um Governo muito incapaz e uma oposição pouco convincente, oscilamos no quotidiano entre o encolher de ombros resignado, a gestão in extremis de recursos financeiros depauperados e os fenómenos quase diários de estupefação perante as asneiras, as tiradas idiotas e as medidas controversas (ou mesmo inconstitucionais) de que a Comunicação Social e o seu batalhão de notáveis desertores analistas, maioritariamente da mesma área política da quadrilha liderada por Passos Coelho, nos dão conta.
O banana no topo do bolo é uma velha glória dos dias felizes do esbanjamento dos milhões que a Europa nos ofereceu como contrapartida para abdicarmos de boa parte do controlo económico sobre o país. O Presidente da República, esse colosso do anedotário político, deveria constituir a maior esperança para uma solução mas acaba por ser uma das faces mais evidentes do problema: a triste realidade de um poder meio senil que ameaça a Democracia, destruindo-a aos poucos neste caldo em lume brando, num banho-maria de impunidade despudorada, de desorientação mal disfarçada e de um esforço concertado de estupidificação das massas por todos os meios ao alcance da seita de chicos-espertos e de palermas instalados nos diversos poderes.
Entregues a uma corja de oportunistas e de mercenários, mergulhamos aos poucos nas trevas da lei da selva, do salve-se quem puder.
E ninguém faz a mínima ideia do quanto neste período negro Portugal já deitou a perder.
A ver se conseguimos todos perceber...
Do Diário de Notícias, com amor, apontamento acabadinho de chegar por mão amiga e atenta...
A ver se consigo perceber:
1. Maria Luís Albuquerque era directora financeira da REFER.
2. A REFER contratou swaps tóxicos enquanto Maria Luís Albuquerque era a sua directora financeira.
3. Maria Luís Albuquerque é nomeada secretária de Estado e tutela o IGCP.
4. O IGCP, sujeito às orientações de Maria Luís Albuquerque, define o que são swaps tóxicos.
5. O IGCP, tutelado por MLA, vem dizer que os swaps tóxicos contratados pela REFER enquanto ela era directora financeira não são, afinal, tóxicos — apenas exóticos.
6. A REFER fica com os prejuízos e Maria Luís Albuquerque continua a ser secretária de Estado de Vítor Gaspar (um ministro tóxico ou exótico?).
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Lex Drewinski (Polónia) - poster «Globalização» - 2011
Maio 12, 2013
«Verdades para as nossas filhas»
A malta da FEUC enviou-me o artigo «Truths for Our Daughters» da Harvard Business Review.
Achei-o tão interessante que fiz a tradução (com os meus conhecimentos básicos de inglês mas conta também a boa vontade):
Como profissional sénior de serviços financeiros - uma indústria com relativamente poucas mulheres nos cargos executivos - Passei muito tempo a reflectir por que não há mais mulheres nos lugares de mais alto nível das empresas. Eu li estudos e ouvi teorias sobre as mulheres não funcionarem bem em rede; não terem o "dom da Visão"; comunicarem de forma muito passiva; não pedirem trabalhos de maior responsabilidade e clientes de topo; e terem menos patrocinadores que estejam dispostos a utilizar o seu capital de influência para as apoiar no seu percurso, tal como fazem para os seus colegas do sexo masculino. Há montes de concordância e repetição ao falar sobre este assunto. É quando se fala de soluções que as coisas ficam mais silenciosas.
Como mãe que vê a sua filha de 18 anos, caloira da faculdade, perante as suas opções de trabalho de verão e de carreira futura, quero que ela tenha conhecimento de histórias de sucesso - e não o que falta às mulheres, o que não fizeram ou não podem fazer - porque eu sei que existem esses sucessos e precisamos de compartilhá-los mais. Se as mulheres jovens entrarem na força de trabalho, em todo o lado, não só com a mensagem de que "não se pode ter tudo" e inundadas com dados sobre a falta de mulheres no topo das hierarquias, mas antes munidas de todos os conselhos acumulados e a sabedoria das mulheres experientes que prosperaram e desfrutaram das suas carreiras, então elas - e as organizações que as acolhem - ficariam muito melhor servidas.
Estes são os conselhos que vou dar à minha filha - e a todas as mulheres jovens como ela que anseiam construir uma carreira - numa altura em que ela começa a tomar decisões sobre a sua vida. Estas são algumas verdades que eu sei agora, com mais de vinte anos da minha carreira, e que gostaria que alguém me tivesse dito antes. E, embora eu nem sempre siga estas orientações, a minha carreira tem sido melhor sucedida - e eu cheguei onde estou hoje - por causa delas. Talvez a minha filha as vá incorporar bem cedo e ficar à frente no jogo.
Está na hora de mudar a narrativa das causas por que não há mais mulheres no topo. Podemos simplesmente forçar um "como fazer" e mudar as tendências de que todos nos apercebemos? Provavelmente não - porque não existe uma fórmula X de segredo para o sucesso. Cada um de nós traz um mix variado de talentos, ideias e experiências para a equação, bem como diferentes circunstâncias da vida. É por isso que temos de começar a compartilhar as nossas histórias de sucesso, em vez de nos concentrarmos em todas as razões pelas quais as mulheres desistem ou não vivem de acordo com o seu potencial no mercado de trabalho. Neste Dia das Mães, compartilha a tua história com alguém que precise de ouvir.
Joan Solotar
10 de Maio de 2013
Joan Solotar é gestora de topo, chefe de relações exteriores e do grupo de estratégia, membro das Comissões Executiva e de Gestão do Grupo Blackstone, empresa de investimento privado mundial e de gestão de activos.
Achei-o tão interessante que fiz a tradução (com os meus conhecimentos básicos de inglês mas conta também a boa vontade):

Como profissional sénior de serviços financeiros - uma indústria com relativamente poucas mulheres nos cargos executivos - Passei muito tempo a reflectir por que não há mais mulheres nos lugares de mais alto nível das empresas. Eu li estudos e ouvi teorias sobre as mulheres não funcionarem bem em rede; não terem o "dom da Visão"; comunicarem de forma muito passiva; não pedirem trabalhos de maior responsabilidade e clientes de topo; e terem menos patrocinadores que estejam dispostos a utilizar o seu capital de influência para as apoiar no seu percurso, tal como fazem para os seus colegas do sexo masculino. Há montes de concordância e repetição ao falar sobre este assunto. É quando se fala de soluções que as coisas ficam mais silenciosas.
Como mãe que vê a sua filha de 18 anos, caloira da faculdade, perante as suas opções de trabalho de verão e de carreira futura, quero que ela tenha conhecimento de histórias de sucesso - e não o que falta às mulheres, o que não fizeram ou não podem fazer - porque eu sei que existem esses sucessos e precisamos de compartilhá-los mais. Se as mulheres jovens entrarem na força de trabalho, em todo o lado, não só com a mensagem de que "não se pode ter tudo" e inundadas com dados sobre a falta de mulheres no topo das hierarquias, mas antes munidas de todos os conselhos acumulados e a sabedoria das mulheres experientes que prosperaram e desfrutaram das suas carreiras, então elas - e as organizações que as acolhem - ficariam muito melhor servidas.
Estes são os conselhos que vou dar à minha filha - e a todas as mulheres jovens como ela que anseiam construir uma carreira - numa altura em que ela começa a tomar decisões sobre a sua vida. Estas são algumas verdades que eu sei agora, com mais de vinte anos da minha carreira, e que gostaria que alguém me tivesse dito antes. E, embora eu nem sempre siga estas orientações, a minha carreira tem sido melhor sucedida - e eu cheguei onde estou hoje - por causa delas. Talvez a minha filha as vá incorporar bem cedo e ficar à frente no jogo.
- Sê confiante. Eu vi a forma como abordaste a cadeira de cálculo multivariável neste semestre com frieza e calma. Traz esse espírito contigo, para o teu trabalho (para que conste, eu não consigo pensar numa única coisa que tenha feito em toda a minha carreira que se aproxime da complexidade do cálculo multivariável).
- Não precisas de "saber tudo" no primeiro dia. Tal como qualquer outra pessoa, incluindo aquele colega que transpira confiança do cubículo ao teu lado. Mesmo os gestores de topo fazem perguntas.
- Sente-te confortável em estares desconfortável. Levei cerca de uma década, se não mais, até descobrir isso. É muito fácil conteres-te por assumires que há alguém por aí que é mais talentoso, mais experiente, mais habilidoso. Tu não vais crescer na tua carreira se não te aventurares para além do que já estás a fazer de forma confortável.
- Tu não tens ideia de aonde a tua carreira te vai levar a longo prazo. Por isso pensa nisso em etapas mais curtas e mais fáceis de gerir. As oportunidades aparecerão. Sê destemida, aproveita-as e não te preocupes tanto com o que vem a seguir.
- Fala duas vezes mais alto do que achas que é preciso. Eu bem que gostaria que alguém me tivesse dito isto antes da minha primeira apresentação numa sala de reuniões - quando alguém realmente me pediu para "falar mais alto".
- Está preparada. Pratica. Conhece os números por dentro e por fora. Grandes decisões de negócio desenvolvem-se com o tempo mas, desde o primeiro dia, tu podes ter os dados - e isso é muito poderoso.
- Encontra aquela pessoa que acredita em ti - e então ouve-a, mesmo que não gostes do que te possa dizer. Vais um dia relembrar-te e sentires-te grata contigo própria por tê-lo feito.
- Desenha riscos na areia. Apreende aquilo em que absolutamente não vais poder desistir e cumpre-o. Ninguém vai agradecer por não teres uma vida fora do trabalho, sem tirares férias. As pessoas mais bem sucedidas que eu conheço conciliam as suas vidas e e o seu trabalho ao longo da semana. Isto permite-lhes ter, em simultâneo, longevidade da carreira e realização das suas vidas.
- Vais frequentemente sentir como se não estivesses a usar 100% da tua capacidade, seja em casa, no trabalho, com amigos ou com outros interesses externos. Eu sinto isso a todo o momento - e está tudo bem. Grandes empreendedores sempre se esforçam para fazer mais no trabalho, com a família e amigos, com os seus outros compromissos e interesses externos à organização.
- Faz favores em cadeia e as coisas boas acontecem. Atende a chamada ou regista o pedido de reunião quando os teus amigos e colegas contactam para negócios ou conselhos de carreira e põe-nos em contacto com quem os possam ajudar. Eles vão lembrar-se disso e é uma maneira fácil e genuína de expandires a tua rede.
- Está pronta - para qualquer coisa.
Está na hora de mudar a narrativa das causas por que não há mais mulheres no topo. Podemos simplesmente forçar um "como fazer" e mudar as tendências de que todos nos apercebemos? Provavelmente não - porque não existe uma fórmula X de segredo para o sucesso. Cada um de nós traz um mix variado de talentos, ideias e experiências para a equação, bem como diferentes circunstâncias da vida. É por isso que temos de começar a compartilhar as nossas histórias de sucesso, em vez de nos concentrarmos em todas as razões pelas quais as mulheres desistem ou não vivem de acordo com o seu potencial no mercado de trabalho. Neste Dia das Mães, compartilha a tua história com alguém que precise de ouvir.
Joan Solotar
10 de Maio de 2013
Joan Solotar é gestora de topo, chefe de relações exteriores e do grupo de estratégia, membro das Comissões Executiva e de Gestão do Grupo Blackstone, empresa de investimento privado mundial e de gestão de activos.
Maio 11, 2013
A posta que podia ser
Podia ser um cavaleiro em armadura reluzente, cheio de heroísmo e a galope num unicórnio porque cavalo é coisa muito vista, a caminho do ponto de encontro com uma donzela em apuros e encurralada no torreão por um mau qualquer.
Podia ser um dragão, mas padece do mesmo problema do cavalo e o horror aos clichés acaba por prevalecer quando a imagem se desenha, ou se esboça (que dá um ar muito mais elaborado ao boneco) na mente equilibrada sobre uma pessoa sentada e a quem apeteceu escrever.
Pois podia, e até dava pano para mangas se a pessoa enfatizasse o profundo drama humano implícito na condição de refém da moça indefesa (seria uma história muito antiga, pois elas hoje em dia frequentam aulas de defesa pessoal) ou, em alternativa, focasse a câmara imaginária no duro de serviço, o guerreiro destemido com a sua enorme coisa na mão (a espada, naturalmente, ou outra arma daquelas a sério que obrigavam os lutadores a enfrentarem os oponentes olhos nos olhos) ou o mau com o aspecto necessariamente medonho para que o outro, o herói, pudesse brilhar ainda mais no mérito da sua jornada.
Contudo, séculos decorridos numa sucessão de histórias com enredos desta natureza esvaziam de sentido a abordagem medieval ao amor que enchia de coragem os peitos couraçados de jovens intrépidos a quem os tempos obrigavam a conquistar as suas eleitas à porrada porque as oportunidades escasseavam para lhes deitarem a mão.
Como as histórias de príncipes e de princesas que acabavam sistematicamente casados, felizes e cheios de infantezinhos, ou os contos de fadas que transformavam abóboras em coches e nunca se popularizaram em terras onde a fome não cessa de grassar, os relatos imaginados de jovens indómitos a galope enfiados em fatiotas de metal parecem apelos ao bocejo, sobretudo para quem os vê, a maioria dos de hoje, a empunharem o telemóvel para ligarem à polícia enquanto fogem a sete pés do sarilho em que a garina se meteu.
Podia, é verdade, adaptar os cenários da fantasia tradicionais a pessoas muito actuais e inventar um cavaleiro gay capaz ainda assim de desancar sem piedade o malvado que quisesse fazer mal a uma amiga ou a uma irmã, ou caracterizá-lo como um cobardolas sem carácter a quem o mau da fita fizesse a folha e no epílogo teríamos apenas uma queca bem dada à donzela e depois até amanhã se Deus quiser, no fundo o mau até era bom e ela nem por isso curtia por aí além o bardamerdas forte na pala mas fraco na pila que lhe saíra na rifa num mero cruzamento de caminhos que, de resto, nem sempre favorece a personagem a brincar ou a sério e depois ela até tinha uma carreira fixe e divertia-se bué e filhos não estavam a dar.
Podia ser isso, agora e aqui. Mas a liberdade criativa, chamemos-lhe isso para embelezarmos o gesto, é uma maluca e nunca se sabe para o que lhe dá quando dá de trombas com um espaço em branco para preencher, pode apenas embicar para um pacato mas inócuo e inconsequente e quiçá disparatado tu cá tu lá com quem calhou ter o azar de aterrar aqui que, como bem sabem os passageiros frequentes, é terra de ninguém em matéria de linha editorial (oh yeah) e onde literalmente tudo pode acontecer.
E afinal uma posta sem mortos nem feridos nem desempregados nem reformados com pensões de miséria, nos dias que correm, acaba por ser sempre uma história com um final feliz.
Maio 10, 2013
Primavera bolsista

Patrick Chappatte para o International Herald Tribune - via PressEurop
Maio 09, 2013
Rosário Breve n.º 308 - in O RIBATEJO de 9 de Maio de 2013 - www.oribatejo.pt
Bom dia, persuactivos Amigos. Aqui vai disto com zum-zum.
Alegoria apícola
Nada perdura que humano seja.
Brilhantes terão sido as empenas das hoje áridas Pirâmides do Egipto. Da imortalidade a que se propuseram, areia ficou só, que permanecer não há-de.
Tirante esta melancolia, permiti-me Vós que Vos narre certa teimosa perduração de que o muito outonecer da vida me faz presença, gala e abespinhada teimosia. Foi quando o Carlos “Minhoca” da Fonseca gozou sem ofensa o bom Augusto Abreu.
Passou-se isto num Inverno benévolo de há coisa de vinte e picos anos. O Augusto tinha ajudado o filho a apossa-trespassar-se de um café-restaurante dedicado a refeições operário-diárias. A malta frequentava aquilo à noite, extintas do expediente as obrigações horárias. Tinha outra coisa, o Augusto Abreu: era homem de virtudes d’antigamente, daquelas virtudes que sabem o valor da horta, a beneficência da árvore de fruto, o tesourinho do porco d’engorda, o quanto para comprar uma lareira conta o salmourar da sardinha em caixa de sal com fundo de feto roubado ao pinhal. Era um homem que se interessava, pronto.
E, pronto, o Carlos “Minhoca” da Fonseca não quis outra vítima que Augusto, agravado de Abreu, se não chamasse, nesse Inverno que nem eu nem Vós reviveremos.
Disse assim o “Minhoca”, como quem não quer a coisa:
– Palavra de honra que achei estranho a mulher só me ter pedido 500 paus por um pote de dois litros de mel do purinho.
Eu nada disse: porque sei bem mais de minhocas do que de apiculturas. Mas o Augusto Abreu (bom homem, pai de seu casalinho, maridinho de sua esposa varizenta & cultor indefectível de seu quintalinho sem ferrugem nem caracol fumigado) caiu que nem um estorninho em visco armadilhado com anzol de silveira:
– Ó senhor Carlos, o senhor desculpe mas isso interessa-me muito. Eu fico com dez potes, se o senhor me der o número de telefone da senhora.
E o sacana do “Minhoca” assim:
– Dou-lho com todo o gosto, senhor Augusto, mas vai ter de esperar dois anos pela encomenda.
E o pobre Augusto assim para ele:
– Dois anos?! Então porquê?
E o mau: – Pois, dois anos porque a senhora de momento está a trabalhar só com uma abelha.
Ora, isto do trabalhar da solitária zunidora e da ilusão da eternidade tem tudo a ver com o mesmo, digo (ou bebo) eu.
E de potes, notas de 500 à Alves dos Reis, minhocas, abelhas e coelhos percebo eu.
E também muito de pirâmides, que mortas estão mas continuam a apontar para o céu como os imbecis que ainda se admiram de ver passar aviões que de Bruxelas, ou de Berlim, nada mais trazem que perdure senão a inelutabilidade da morte e a porquita miséria a meio conto de réis o pote.
uma curiosidade
Esta semana os deputados europeus da esquerda manifestaram-se contra a troika. A revolta contra a austeridade já chegou ao Parlamento Europeu. Esta foto está a correr a Europa toda, mas alguém a viu na imprensa portuguesa?
Distracção? Falta de relevância política? Censura? Estupidez?...
Maio 08, 2013
de interesse público!
- venha de lá quem desminta...
O assunto desta denúncia é aquilo a que os defensores do actual sistema (de ladroagem, claro) chamam "o mercado a funcionar".
Acontece que, pelo menos neste país, não há concorrência e não há quem defenda o cidadão.
Para além do que aqui diz este BOM CIDADÃO (não é português, claro está), é fácil verificar que em Portugal alguns produtos têm o mesmo preço, até ao cêntimo, em várias cadeias de supermercados. Como neste país não há cartelização de nada, só pode ser milagre...
Aconselha-se vivamente a leitura das cartas remetidas ao jornalista José Gomes Ferreira e à DECO, a propósito deste mesmo assunto:
- Exposição dirigida à DECO:
GEORGES STEYT
Quinta do Outeiro – Rua José Baptista Canha, 7 – 2565-116 Carmões
Tel.: 261 743 34 - georgessteyt@yahoo.fr
Carmões, 8 de Abril de 2013
DECO - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor
R. de Artilharia Um, n.º 79, 4.º
1269-160 Lisboa
Exmas./os Senhoras/es,
Queiram encontrar em anexo um quadro comparativo de preços demonstrativo da política discriminatória de preços praticada pela LIDL em relação a Portugal, implicando a constatação de o nível de preços ao consumidor em Portugal se situar num patamar escandalosamente elevado.
Os portugueses não têm apenas os salários mais baixos e dos impostos mais elevados da UE, mas ainda, as práticas da Grande Distribuição obriga-os a pagar as suas compras a preços totalmente abusivos.
Não compreendo como é que uma organização como a vossa, em princípio existente para a defesa dos consumidores, permanece silenciosa sobre um tema tão crucial. Em Agosto de 2009, enderecei a V.Exas. uma correspondência similar (vide cópia anexa), sugerindo uma comparação sistemática entre os preços praticados pelas cadeias europeias (Auchan, Intermarché, Lidl, Aldi ...) nos seus países de origem e em Portugal.
Tanto quanto é do meu conhecimento, tal comparação nunca foi por vós feita. Ora, certamente que se trataria dum modo bem simples de exercer pressão sobre o cartel dadistribuição que se permite este tipo de abusos.
Se a Lidl se dá ao luxo de abusar de forma tão descarada do consumidor português, fá-lo muito simplesmente porque o ambiente (não)concorrencial lho permite. Neste contexto, será interessante fazer notar que, de forma quase sistemática, o abuso de margens praticado pela Lidl, em relação aos preços na Bélgica, se repete ao cêntimo na Aldi, o que deixa claramente entender existir aqui um acordo de preços.
Tendo em conta o facto de os preços praticados na Bélgica e noutros países do Norte pela Lidl (e Aldi) incluirem já uma margem que torna as suas operações perfeitamente rentáveis, somos levados a constatar que estas empresas se regalam em Portugal com uma margem SUPLEMENTAR perfeitamente exorbitante, acima dos 50%. Ora, os custos variáveis da distribuição são constituídos essencialmente pela mão de obra e pelos custos imobiliários, dois tipos de despesa claramente menos onerosos em Portugal. Este tipo de prática abusiva encontra a sua única explicação no poder dos interesses monopolistas instalados. A Lidl não é o único réu, o que está em causa é o conjunto da distribuição.
Se, a nível da Comunicação Social, a DECO, que se presume ter por vocação tal tarefa, não denunciar um tal escândalo, quem o fará?
Dedica a vossa Associação largo tempo a comparar as diferenças de preço, por vezes pouco significativas, entre as cadeias de distribuição em Portugal, perdendo de vista que é a totalidade da distribuição que é abusivamente cara. Deveriam atacar o problema a fundo denunciando este escândalo. Para tal, bastaria que procedessem às comparações por mim sugeridas.
Esperando a melhor atenção de V.Exas. para o exposto, subscrevo-me com os melhores cumprimentos,
Georges Steyt
Anexos:
Quadro comparativo preços Lidl Bélgica / Portugal
Cópia da minha carta à DECO de ...
- Exposição a José Gomes Frerreira:
GEORGES STEYT
Quinta do Outeiro – Rua José Baptista Canha, 7 – 2565-116 Carmões
Tel.: 261 743 34 - georgessteyt@yahoo.fr
Carmões, 8 de Abril de 2013
Exmo. Senhor Dr. José Gomes Ferreira
a/c SIC NOTÍCIAS
LISBOA
Exmo. Senhor,
Admiro a forma como V.Exa. não cessa de denunciar os efeitos perniciosos da prevalência da corrupção, em Portugal. Não o faz de forma fanática, mas sim, persistente, e baseando-se em factos. Daí lhe advém a força de saber convencer.
Gostaria de acrescentar um pequeno mosaico à sua argumentação, e como tal, permito-me enviar-lhe cópia de uma correspondência endereçada à DECO. Isto tanto mais porque duvido que esta associação irá dar aos factos que exponho a divulgação que merecem. Acontece que os abusos de margens de comercialização que denuncio são perfeitamente exorbitantes.
De nacionalidade belga, vivo em Portugal há mais de 15 anos. Desde o início, fiquei estupefacto com as diferenças de preço entre Portugal e o norte da Europa. Verdade é que alguns bens são claramente menos caros: restaurantes, hotéis e, dum modo geral, todos os bens ou produtos com uma forte componente de mão de obra. Facto, aliás, muito lamentável para o povo português simples, pois implica que os seus rendimentos sejam francamente inferiores.
Dito isto, o mesmo não se passa com todos os serviços, visto que estes, oferecidos pelas classes educadas (médicos, engenheiros, advogados, arquitectos, etc.) são nitidamente superiores aos preços praticados nos países da Europa do Norte. Facto que tende a comprovar a força do espirito corporativo existente nestas profissões, o qual lhe permite estes preços exagerados. Assim, enquanto uma consulta num médico generalista na Bélgica custa cerca de € 30,00, dos quais a Segurança Social reembolsa, no mínimo, € 20,00, uma consulta a um médico particular em Portugal custa, no mínimo dos mínimos, € 60,00, sem reembolso. Uma vez mais, é a população modesta que paga.
No que diz respeito aos bens alimentares, é certo que a carne, o peixe, a fruta e os legumes costumam ser menos dispendiosos por cá. Em contrapartida, os produtos embalados são nitidamente mais caros, como se comprova pelo quadro comparativo referente à LIDL. E, se tivermos em conta que a LIDL é habitualmente menos cara que as cadeias portuguesas, podemos concluir que o consumidor português desembolsa valores excessivos pelos produtos em questão. Creio, aliás, que a diferença entre o nível de preços dos produtos frescos e os produtos embalados resulta muito simplesmente do facto de a distribuição dos primeiros contar ainda com um número considerável de distribuidores independentes, enquanto que a Grande Distribuição conseguiu praticamente monopolizar a distribuição dos produtos acondicionados.
Garanto-lhe a autenticidade dos números que avanço. Fiz em 2009 uma primeira comparação deste tipo para a DECO, tendo na altura remetido cópia à LIDL que tentou (com argumentação absurda) justificar as diferenças, sem, no entanto, as contestar minimamente.
As práticas de entendimento monopolista na distribuição constituem igualmente uma forma de corrupção. A única forma de defesa é a divulgação dos factos, tal como V.Exa.o faz, de forma tão brilhante, em matéria de política e administração pública.
Grato pela atenção que o assunto lhe possa merecer, apresento a V.Exas. os meus melhores cumprimentos.
Georges Steyt
Anexos:
Carta à DECO/Proteste
Quadro comparativo preços LIDL Bélgica / Portugal
Etiquetas:
alternativas,
argumentação,
opinião,
pensamento crítico
Maio 05, 2013
A posta alta num cavalo perdedor
Um gajo senta-se diante do monitor e nem sempre lhe apetece cumprir um qualquer ritual, como na televisão nem sempre nos apetece o mesmo canal, e depois dá-lhe para ir dar uma voltinha pelos corredores mais ou menos iluminados do casarão em que a net se tornou.
Naturalmente, que passados alguns anos sobre o advento da coisa isto da nostalgia também já pode acontecer em ambiente virtual, uma das tentações é a de sacudir o pó aos “favoritos”, essa ferramenta que tínhamos como imprescindível quando jovens e imberbes exploradores do fenómeno.
E embora raramente nos dê para aí, é ponto assente que perdemos a vontade de tão cedo repetirmos a graça.
Como qualquer pessoa que bloga desde o início da década passada, vivi os dias intensos da fase pós chat e pré facebook. A sede de comunicação era imensa e os computadores substituíam quase por completo as televisões que pouco ou nada transmitiam para nos prender a atenção. Passávamos horas diante do monitor, descobrindo nova gente e apreciando os talentos extraordinários (como nos pareciam) de desconhecidas/os, acabando cedo ou tarde por estabelecer contacto com as pessoas por detrás das realidades virtuais que nos esforçávamos por construir.
Era giro, admito, e mexia com uma pessoa. Era quase como um regresso à adolescência, pelas emoções de geração espontânea suscitadas por alguém cujo rosto, cuja voz, cujo género desconhecíamos e que nos surpreendiam pelo seu vigor.
A alma latina fazia-se sentir através de um computador, nas discussões acaloradas como nos flirts à descarada que partilhávamos com quem passou a viver parte da existência naquele mundo à parte que fomos construindo com a mesma expectativa de uma relação a dois, com a esperança da eternidade que qualquer paixão consegue alimentar.
E isso aplicava-se a qualquer tipo de relação que nascia desse contacto distante que se transfigurava próximo pelo exagero nas revelações protegidas por um anonimato que aos poucos começou a desaparecer.
Foi essa a mudança que deitou tudo a perder. Jantares, convívios, encontros marcados sob a pressão da curiosidade que sempre matou gatos e na internet vitimou imensos corações.
Amizades de aparência sólida e amores clandestinos de caixão à cova brotavam como cogumelos a partir das caixas de comentários, dos emails e do messenger, enxurradas de palavras sentidas e acreditadas que nos faziam presumir uma intimidade e laços tão fortes que o impulso da proximidade física acabou por vencer.
Sim, foi isso que deitou tudo a perder. Ou pelo menos arrefeceu o entusiasmo juvenil que nos prendia à cadeira, como hoje é fácil de constatar na triste decadência da blogosfera enquanto rede social e a que o facebook apenas deu o golpe de misericórdia.
Ao vivo e a cores, há um brilho qualquer que se extingue e as emoções (como as imagens) artificiais sucumbem à verdade dos factos que os olhos nos olhos não conseguem disfarçar.
Os meus favoritos não passam de um extenso rol de blogues extintos ou ligados à máquina da teimosia dos poucos que como eu ainda vão aparecendo para fazer a cama e mudar os lençóis. Das pessoas que faziam o meu quotidiano virtual nos dias loucos de 2004 e foram entrando aos poucos na dimensão analógica restam apenas vagas memórias e um ou outro contacto esporádico, residual, distante como seria suposto neste ambiente. E isso abrange amizades “para a vida” como paixões que nos faziam chorar.
Contudo, e nisso a vida tem sempre a última palavra, dou comigo a navegar pelos restos dos meus rastos dessa etapa que tanto coloriu a minha entrada na crise da meia-idade e a constatar o quanto de ilusório se constrói nestes canais de comunicação modernos.
Mas no balanço desta nostalgia de pacotilha também descubro o pragmatismo que a passagem dos anos nos traz quando percebo que aquilo que me ocorre no final do périplo virtual é uma conclusão de SEO: o contacto pessoal com gente que bloga tem um preço a pagar, uma espécie de castigo para as nossas ilusões, e é a forma mais desastrada de dar cabo da popularidade dos nossos espaços virtuais.
Quem nos conhece pessoalmente e por algum motivo desatina é garantido que não nos linca mais.
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